Dono
de um invejável currículo de serviços à Marinha
Brasileira, o comandante Miguens sempre teve uma ligação
forte com nosso clube. Tanto que presenteou os Iatistas
com duas peças náuticas históricas
O Iate Clube de Brasília e o Lago Paranoá têm,
na figura do carioca Altineu Pires Miguens, 58 anos,
um grande amigo. Apaixonado por vela e dono de um vasto
currículo na história da navegação
brasileira, o comandante Miguens marcou, ao longo de
sua carreira de 32 anos na Marinha Brasileira, os estudos
sobre oceanografia e hidrografia da costa do país.
Morando efetivamente em Brasília desde 1990, o
comandante Miguens logo apegou-se ao Lago Paranoá.
E não poderia ser diferente. Em 1979, à serviço
da Marinha, ele e sua equipe desembarcaram na cidade
com a missão de fazer um levantamento hidrográfico
detalhado do Lago Paranoá. “A primeira carta
hidrográfica do Lago, feita em 1960, foi desenvolvida
quando o Lago ainda não estava cheio. Na verdade
foi mais um levantamento topográfico, que acabou
não sendo muito preciso.”, explicou o comandante. “Em
1979, nós fizemos um estudo do Lago que durou
cerca de um mês, já que a extensão
não é muito grande. Daí saiu a carta
náutica do Lago que é usada até hoje”,
diz o comandante.
A ligação com o Lago Paranoá logo
levou o comandante a conhecer e gostar das pessoas que
trabalham com vela no Iate. Esse carinho com o clube
foi tão grande que Miguens presenteou o clube
com dois artefatos náuticos de grande valor simbólico
para os Iatistas: a lanterna do farol, que ornamenta
o Bar do Farol, e a enorme âncora localizada na
entrada principal do clube foram carinhosamente cedidos
ao Iate por ele.
Formado no Colégio Naval em Angra dos Reis e graduado
no curso de Oficial do Corpo da Armada, na Escola Naval
do Rio de Janeiro, o comandante Miguens entrou para a
reserva em 1995, como capitão de mar e guerra, último
degrau antes do almirantado.
Entre 1969 e 1970, o comandante Miguens concluiu o curso
de especialização em Oceanografia, Hidrografia
e Navegação da Diretoria de Hidrografia
e Navegação (DHN) do Rio de Janeiro.
A partir daí, deu início a uma série
de funções técnicas a bordo de navios
que realizaram levantamentos hidrográficos para
confecção de cartas náuticas das
costas Norte, Nordeste, Leste e Sul do Brasil, além
do levantamento hidrográfico do Rio Paraguai.
A experiência o levou, como instrutor de navegação,
a trabalhar na US Naval Academy, nos Estados Unidos,
entre 1981 e 1983, como oficial de intercâmbio.
Posteriormente, entre 1983 e 1984, ele desempenhou a
mesmo função na Escola Naval.
Ao longo da carreira, o comandante Miguens esteve responsável
por dois barcos de destaque: o Caravelas, que mapeou
o Rio Paraguai, e o Navio Oceanográfico Almirante Álvaro
Alberto, com o qual ele realizou o levantamento da plataforma
continental brasileira, além de serviços
na Antártica, entre 1988 e 1989, episódio
esse que ocupa lugar especial na memória do navegador.
“
A Antártica é um lugar onde o filho chama
e a mãe não vem”, brinca o comandante
Miguens. “Lá eu vivi uma experiência
bem interessante porque trata-se de um local de condições
muito rigorosas e que exige uma grande preparação.
O que eu vivi lá gerou um capítulo especial
no Manual de Navegação da Marinha sobre
a navegação em áreas polares”,
ressalta.
Para se ter uma idéia da importância do
comandante Miguens para a Marinha e a navegação
brasileira, o manual a que ele se refere e que hoje é adotado
como o Manual de Navegação Oficial da Marinha
Brasileira, foi totalmente escrito por ele. A peça,
de três volumes, foi iniciada em 1994 e concluída
em 2000.
Por tudo isso, e pelo carinho que sempre dispensou ao
Lago Paranoá e ao Iate, o comandante Miguens é bastante
querido entre a comunidade náutica de Brasília
e de nosso clube. Além do trabalho que desenvolve
na gerência de Projeto de Gestão Integrada
dos Ambientes Costeiro e Marinho do Ministério
do Meio Ambiente, o comandante ministra cursos de Mestre
Amador e de Capitão Amador, com os quais já formou
mais de 100 pessoas na capital.
Presentes de peso
Tanto a Lanterna do Farol, quanto a âncora na entrada
do Iate, presentes dados pelo comandante Miguens na primeira
metade da década de 90, já se tornaram símbolos
dos velejadores do clube. De grande valor simbólico
para os Iatistas, os dois presentes carregam uma grande
história.
A Lanterna, de fabricação inglesa, tem mais
de 100 anos de vida e é muito preciosa já que,
além do valor histórico de ter pertencido
ao Serviço de Sinalização Náutica
da Marinha Brasileira, ela tem todos os vidros confeccionados
em cristal puro.
Já a âncora, que conheceu as profundezas da
Antártica, está intimamente ligada à função
do comandante Miguens frente ao Navio Oceanográfico
Almirante Álvaro Alberto. “Depois que passei
o comando do barco, ele acabou infelizmente pegando fogo
e afundando na Lagoa dos Patos (RS) em dezembro de 1992”,
contou Miguens. “Como fui o primeiro comandante do
barco, tive a honra de receber as três âncoras
dele e cedi uma ao Iate de presente”, explicou Miguens,
referindo-se a uma das últimas lembranças
de um navio que prestou importantes serviços ao
país.
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