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Edição nº 17 - setembro/outubro de 2004


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  Carinho pelo Iate


Dono de um invejável currículo de serviços à Marinha Brasileira, o comandante Miguens sempre teve uma ligação forte com nosso clube. Tanto que presenteou os Iatistas com duas peças náuticas históricas

O Iate Clube de Brasília e o Lago Paranoá têm, na figura do carioca Altineu Pires Miguens, 58 anos, um grande amigo. Apaixonado por vela e dono de um vasto currículo na história da navegação brasileira, o comandante Miguens marcou, ao longo de sua carreira de 32 anos na Marinha Brasileira, os estudos sobre oceanografia e hidrografia da costa do país.
Morando efetivamente em Brasília desde 1990, o comandante Miguens logo apegou-se ao Lago Paranoá. E não poderia ser diferente. Em 1979, à serviço da Marinha, ele e sua equipe desembarcaram na cidade com a missão de fazer um levantamento hidrográfico detalhado do Lago Paranoá. “A primeira carta hidrográfica do Lago, feita em 1960, foi desenvolvida quando o Lago ainda não estava cheio. Na verdade foi mais um levantamento topográfico, que acabou não sendo muito preciso.”, explicou o comandante. “Em 1979, nós fizemos um estudo do Lago que durou cerca de um mês, já que a extensão não é muito grande. Daí saiu a carta náutica do Lago que é usada até hoje”, diz o comandante.
A ligação com o Lago Paranoá logo levou o comandante a conhecer e gostar das pessoas que trabalham com vela no Iate. Esse carinho com o clube foi tão grande que Miguens presenteou o clube com dois artefatos náuticos de grande valor simbólico para os Iatistas: a lanterna do farol, que ornamenta o Bar do Farol, e a enorme âncora localizada na entrada principal do clube foram carinhosamente cedidos ao Iate por ele.
Formado no Colégio Naval em Angra dos Reis e graduado no curso de Oficial do Corpo da Armada, na Escola Naval do Rio de Janeiro, o comandante Miguens entrou para a reserva em 1995, como capitão de mar e guerra, último degrau antes do almirantado.
Entre 1969 e 1970, o comandante Miguens concluiu o curso de especialização em Oceanografia, Hidrografia e Navegação da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) do Rio de Janeiro.
A partir daí, deu início a uma série de funções técnicas a bordo de navios que realizaram levantamentos hidrográficos para confecção de cartas náuticas das costas Norte, Nordeste, Leste e Sul do Brasil, além do levantamento hidrográfico do Rio Paraguai.
A experiência o levou, como instrutor de navegação, a trabalhar na US Naval Academy, nos Estados Unidos, entre 1981 e 1983, como oficial de intercâmbio. Posteriormente, entre 1983 e 1984, ele desempenhou a mesmo função na Escola Naval.
Ao longo da carreira, o comandante Miguens esteve responsável por dois barcos de destaque: o Caravelas, que mapeou o Rio Paraguai, e o Navio Oceanográfico Almirante Álvaro Alberto, com o qual ele realizou o levantamento da plataforma continental brasileira, além de serviços na Antártica, entre 1988 e 1989, episódio esse que ocupa lugar especial na memória do navegador.
“ A Antártica é um lugar onde o filho chama e a mãe não vem”, brinca o comandante Miguens. “Lá eu vivi uma experiência bem interessante porque trata-se de um local de condições muito rigorosas e que exige uma grande preparação. O que eu vivi lá gerou um capítulo especial no Manual de Navegação da Marinha sobre a navegação em áreas polares”, ressalta.
Para se ter uma idéia da importância do comandante Miguens para a Marinha e a navegação brasileira, o manual a que ele se refere e que hoje é adotado como o Manual de Navegação Oficial da Marinha Brasileira, foi totalmente escrito por ele. A peça, de três volumes, foi iniciada em 1994 e concluída em 2000.
Por tudo isso, e pelo carinho que sempre dispensou ao Lago Paranoá e ao Iate, o comandante Miguens é bastante querido entre a comunidade náutica de Brasília e de nosso clube. Além do trabalho que desenvolve na gerência de Projeto de Gestão Integrada dos Ambientes Costeiro e Marinho do Ministério do Meio Ambiente, o comandante ministra cursos de Mestre Amador e de Capitão Amador, com os quais já formou mais de 100 pessoas na capital.

Presentes de peso

Tanto a Lanterna do Farol, quanto a âncora na entrada do Iate, presentes dados pelo comandante Miguens na primeira metade da década de 90, já se tornaram símbolos dos velejadores do clube. De grande valor simbólico para os Iatistas, os dois presentes carregam uma grande história.
A Lanterna, de fabricação inglesa, tem mais de 100 anos de vida e é muito preciosa já que, além do valor histórico de ter pertencido ao Serviço de Sinalização Náutica da Marinha Brasileira, ela tem todos os vidros confeccionados em cristal puro.
Já a âncora, que conheceu as profundezas da Antártica, está intimamente ligada à função do comandante Miguens frente ao Navio Oceanográfico Almirante Álvaro Alberto. “Depois que passei o comando do barco, ele acabou infelizmente pegando fogo e afundando na Lagoa dos Patos (RS) em dezembro de 1992”, contou Miguens. “Como fui o primeiro comandante do barco, tive a honra de receber as três âncoras dele e cedi uma ao Iate de presente”, explicou Miguens, referindo-se a uma das últimas lembranças de um navio que prestou importantes serviços ao país.


 

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