Com o Hookipa, um grupo de Iatistas abriu
o caminho da vela para as brasilienses. Agora, a tripulação
sonha com novas aventuras além das fronteiras
do Lago Paranoá
Elas formam um grupo especial de mulheres que, definitivamente,
não têm medo de desafios. No mundo da vela
de Brasília, o barco Hookipa Outlook Cosméticos
virou sinônimo da capacidade feminina. Com uma tripulação
exclusivamente formada por mulheres, este Delta 26 conquistou
lugar de respeito na comunidade náutica e hoje ninguém
duvida que Mariana Lacerda, Rossana Ramos, Sandra Branchine,
Sônia Gargiulo e Raquel Aimone, todas sócias
do Iate, têm condições de vencer grandes
regatas na capital.
A história dessa tripulação começou
em 1999, quando o velejador Mauro Osório, também
do Iate, incentivou um grupo de mulheres do clube a participar
da primeira edição da Copa Batom, uma regata
aberta apenas a tripulações femininas. Então
dono do barco Hookipa, Mauro Osório emprestou sua
embarcação para Mariana, Sandra e outras
amigas competirem, sem sequer imaginar que o que parecia
uma brincadeira de fim de semana iria se tornar um negócio
muito sério para elas. “Nós ganhamos
a Copa Batom e aí surgiu a idéia de montar
uma tripulação exclusivamente feminina em
Brasília”, contou Mariana.
No ano seguinte, Mauro Osório colocou o Hookipa à venda.
Já familiarizada com o barco, Mariana comprou o
Delta 26 e ali nasceu, definitivamente, a história
da tripulação feminina no Lago Paranoá. “Começamos
a participar de todas as regatas e, no início, enfrentamos
muito preconceito. O pessoal (leia-se os homens) pensava
que a gente não teria condições de
competir com eles e tivemos que conquistar o nosso espaço”,
lembrou Mariana.
Cerca de sete meses depois de Mariana ter adquirido o barco,
ainda em 2000, a turma participou da 1ª Copa Delta
26 de Brasília. Com quase 15 barcos na disputa,
o Hookipa conquistou a segunda colocação
geral e recebeu o troféu de destaque do torneio.
De lá para cá, as meninas do Hookipa venceram
mais duas edições da Copa Batom e faturaram
também as duas Regatas Saias ao Vento, provando
que, entre as mulheres, elas não têm rival
na capital.
Em 2003, o Hookipa brilhou ao conquistar o troféu
da Regata 24 Horas, além do terceiro lugar no Campeonato
da Flotilha Delta 26. Este ano, em maio, o Hookipa faturou
o título da Regata 30 Milhas. Agora, a tripulação,
amparada por quatro anos de experiência, planeja
novos desafios.
No ano passado, com um grupo formado exclusivamente por
mulheres do Iate Clube, do qual faziam parte duas velejadores
do Hookipa, Rossana Ramos e Sandra Branchine, várias
brasilienses participaram da tradicional Regata Recife-Fernando
de Noronha (Refeno). Sandra e Rossana voltaram desta aventura
empolgadas com a idéia de velejar em alto mar e
agora a tripulação inteira do Hookipa pretende
disputar, ainda este ano, em novembro, o Campeonato Brasileiro
da Classe J24. A idéia é chegar, em 2005,
ao Campeonato Mundial da Classe J22, que acontecerá nos
Estados Unidos.
“
Acho que o Hookipa deu o start para as mulheres na vela
de Brasília. Então, depois de competirmos
aqui, partimos para um desafio maior que foi participar
de uma regata oceânica (Refeno) só com mulheres.
Agora queremos competir em outras regatas e, quem sabe,
chegar a um Mundial”, planeja Sandra Branchine.
A companheira Rossana Ramos faz uma ressalva. “Durante
toda sua história, o Hookipa sempre teve um apoio
muito grande do Iate. Nós temos toda uma estrutura
com marinheiros, com a Secretaria Náutica do clube
e com a torcida dos Iatistas e isso facilita muito o nosso
trabalho”, explica a velejadora. “Quando voltamos
de uma regata, temos a certeza que, ao chegar ao Iate,
nosso barco vai ficar em segurança e que seremos
bem recebidas por nossos amigos.”
Então, da próxima vez que você avistar
um barco branco, com uma enorme vela cor-de-rosa deslizando
pelo Lago Paranoá, saiba que a bordo estão
as mulheres do Hookipa. Um grupo de velejadoras destemidas
que não teve medo de enfrentar os desafios para
abrir as portas às mulheres de um esporte até então
dominado por homens.
Quem é quem no Hookipa

Rossana Ramos
Velejadora há 14 anos, na tripulação
desde 2000
Idade: 38 anos
Profissão: analista judiciária
Função: timoneira
Sandra Branchine
Velejadora há 7 anos, na tripulação
desde 2000
Idade: 34 anos
Profissão: especialista em marketing
Função: proeira
Mariana Lacerda
Velejadora há 20 anos, na tripulação
desde 2000
Idade: 41 anos
Profissão: advogada
Função: comandante
Sônia Gargiulo
Velejadora há 2 anos, na tripulação
desde 2000
Idade: 40 anos
Profissão: funcionária pública
Função: proeira
Raquel Aimone
Velejadora há 10 anos, na tripulação
desde 2000
Idade: 20 anos
Profissão: estudante do curso de contabilidade
Função: proeira
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